sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Cada respiração é uma escolha

"Quem escreverá a história do que poderia ter sido o irreparável do meu passado;
Este é o cadáver.
Se a certa altura eu tivesse me voltado para a esquerda, ao invés que para direita;
Se em certo momento eu tivesse dito não, ao invés que sim;
Se em certas conversas eu tivesse dito as frases que só hoje elaboro; Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro seria insensivelmente levado a ser outro também.” F. Pessoa.

Deus, ou qualquer outro símbolo criado pelo ser humano pra resolver os problemas do próprio, faça com que eu seja sincero e tenha liberdade no que tento expressar aqui.
No momento, não tenho esperanças de viver. Não tenho pena disso. Não quero que você tenha também. Como eu já disse, é um momento.
Apenas não encontrei par nessa jornada que a gente chama de vida.
Vou te contar uma história de um guri.
Esse guri admite hoje que não foi educado (ou moldado) pra pisar nos outros - infelizmente, a vida pareceria mais atrativa se fosse dessa maneira.
Esse guri é chamado de gay desde os sete anos de idade por não gostar de jogar futebol e por não ter vergonha de admitir tal fato. E não tem vergonha de gostar de Nickelback ou John Mayer. Ele não aprendeu que a regra é ser injusto, insensível, um grande idiota. Não entende essa necessidade de auto-afirmação do outro quando este tenta classificá-lo de rótulos aos quais não pertence. E não apenas nos rótulos negativos. 
Acha absurdo mulheres serem tratadas como objetos de decoração em qualquer lugar que forem. Acha mais absurdo ainda grande parte delas concordarem ou serem coniventes com isso. E, sim, esse guri gosta de meninas. E gosta tanto a ponto de saber que vale a pena ser agredido por querer tratá-las como merecem. Não, ele não se acha mais correto ou superior. 
Ele só não aceita por que as pessoas não se perguntam qual a razão por trás dessas convenções. 
Você só é homem se não respeita a individualidade e as emoções de cada mulher.
Você só é mulher se tu te apegar a cafajestes e achar que vai mudar a essência dos mesmos.
Estou cansado desses estereótipos.
Cada pessoa é única. Cada uma tem seus defeitos. Suas qualidades. Grandes vitórias. Péssimas derrotas. Indecisões. Indecisões. Indecisões mesmo.
Ao abrir um livro de Manuel Bandeira, deparo-me com o primeiro verso: “Faço versos como quem morre”.
Acho que não sou assim. Mas próximo disso. 
Escrevo como quem chora. O teclado é um lenço e um abraço.
E hoje correm lágrimas de derrota. 
Perdi porque esperei demais de pessoas incapazes. Porque acreditei que beleza levava, necessariamente, a um bom caráter (inconsciência idiota!). Porque ouvi discursos de originalidade saindo de bocas nem-tão-originais-assim. Porque mentiram. Mentiram como se fosse natural mentir. Como se respirar fosse igual a mentir. E respiraram fundo em mim.
E o mais incrível é esse efeito ressaca do amor falido: não houve ainda uma vez na qual obtive mais felicidade e bem estar do que sofrimento e desilusão. Você, que inventou esse aperto no coração, tenha a fineza de desinventar.
Mas, fique tranquilo, ainda gosto de viver, apesar de tudo. Encontrei amigos no caminho. A sociedade que usa esse termo. Para mim, são anjos. Obrigado.
Triste é saber que hipocrisia virou tradição.
Triste é viver num jogo de interesses.
Triste é presenciar a morte do bom senso.
No momento, meu estômago grita que quer comida. Daqui a dez minutos, ele estará feliz.
E o coração, que grita por felicidade?
Não sei. 
Quem sabe de tudo, não sabe de nada.
De olhos fechados, fico triste com o mundo. 
Mas não é o momento de desistir.
É hora de acordar.
Desculpa qualquer coisa. 


G.R.Rosa.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Insônia

São exatas três e vinte e cinco da manhã.

Tô agitado e quero te contar um pouquinho sobre o que andei descobrindo:

  • Que, por mais que a gente tente, nunca seremos mais frios ou nos importaremos menos com os outros. Talvez consigamos esconder as ações que vêm dessas emoções, mas a raiz do problema vai estar sempre lá. Martelando até nos aceitarmos como somos.
  • Que as pessoas desejam mais que a sua opinião seja uma verdade absoluta do que conhecer e respeitar a dos outros.
  • Que até eu tento te doutrinar a ser mais tolerante com os gostos dos outros (exceto com sertanejo universitário, isso é uma bosta de verdade).
  • Ah, e que os mais progressistas também escondem um montão de preconceitos.
  • Que, infelizmente, até o discurso de ser diferente não é mais tão diferente assim.
  • Que começar um romance é infernalmente difícil.
  • E tentar viver um é mais complicado ainda.
  • Que o amor intenso, no estilo "A culpa é das estrelas" existe, sim! Apenas com a diferença de que as cenas mais belas vão acontecer na nossa vida em momentos bem mais espaçados do que o filme (basta esperar um pouquinho). E se a gente fizer elas acontecerem.
  • Que são tempos duros para sonhadores. Mas que, com esperança, a gente dá um jeito.
  • Que nem toda capa bonita esconde um conteúdo interessante.
  • Que a sinceridade é doce em alguns momentos e ácida em outros. E que a acidez ensina muito mais que a doçura. Mas que nem todo mundo quer aprender.
  • Que as pessoas interpretam as coisas como quiserem e foda-se quão esplêndida for tua qualidade de expressar tuas ideias.
  • Que ter como viajar e não o fazer é que nem comprar um brinquedo e não tirar da caixa.
  • Que até dinheiro demais é um problema. Que o dito cujo deve ser uma ferramenta, não um par de algemas.
  • Que amor próprio é ótimo, mas, como dizem as nossas mães: "tudo tem limite".
  • Que, talvez seja melhor arriscar, se machucar e aprender, do que se proteger e pensar naquilo que podia ter sido e não foi.
  • Que teus pais se fazem de desentendidos apenas para terem a tua atenção.
  • Que eles são carentes como nós somos, mas tem vergonha de expressar.
  • Que abraçá-los é anestesia pro teu estresse.
  • Que é mesmo difícil escolher um jeito de viver.
  • Mas que indecisão em tudo é uma merda.
  • E certeza total em tudo também é.
  • Que dias infernais vêm e vão.
  • Que esses existem pra nos ensinar a aproveitar os dias perfeitos.
  • Que vida é alternância.
  • E que viver é do caralho.

G.R.Rosa

domingo, 12 de outubro de 2014

Esperar a esperança desesperar

Por ela, espero
no banco da praça.
O povo passa com
histórias ocultas e
seus dramas,
desejos e
costumes de
quebrar regras
e pavoneiam: política?
corja.

Por ela eu espero
enquanto a hipocrisia
vira pandemia

Enquanto a direita
"ama" os pobres
e a esquerda
reclama da direita
via iPhone

Sou hipócrita,
você também é,
Ama os pobres
até entrar na favela.
Odeia os ricos,
até andar de Ferrari.

Enquanto os ditos
pregadores da liberdade
e dos direitos humanos
dormem o sono dos "justos"
por dizerem que
tudo é
preconceito
De dia,
criam um inimigo mágico
e o chamam de opressor
cospem em cima
dos que não conhecem
e se dizem pacificadores.

Liberdade?
só se for
pra concordar comigo.

Caso contrário: entra o argumento
de falar do intelecto
como fica fácil, não?
atacar a inteligência
pois ela é pura
abstração.

Os guerreiros progressistas
descarregam o preconceito
que dizem
que não tem
e continuam
julgando-se evoluídos

E enquanto isso tudo acontece,
espero por ela
será que
vale a pena?
não sei
só sei
que
esperei.
espero.
esperarei.

No fundo,
Esperança é gasolina.
Escolhe o que faz
essa energia
explodir
e mover
teu coração.

G.R.Rosa


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Hoje, quero ser um drogado.
Um marginal. Um inconsequente.
Quero a dor lancinante da injeção da droga.
Quero coelhos com asas, fadas que explodem.
Hoje, quero ser tudo que julguei errado.
Quero conhecer o mundo dos esquecidos pelo mundo.
Um novo mundo.
O das putas baratas.
O dos novos-mendigos.
O dos pacientes terminais.
Tenho dentro de mim uma ânsia de autodestruição.
De conhecer a porta dos fundos da alma.
De ver além do fundo do poço.
Deve ter sido causado por esse vício em sonhar ser alguém melhor.
E não conseguir.
Maldito sofrimento. Maldita preguiça. Fizeste o pior de ti em mim.
Queria ser uma reencarnação do Mozart.
Uma revisão da J.K. Rowling.
Uma cópia do Picasso.
Mas sou Guilherme.
Apenas Guilherme.
O garoto com medo de viver com intensidade.
O garoto que foi sincero nos seus discursos.
O garoto que foi julgado por ter sido assim.
O que ninguém leva a sério por ver humor em tudo.
O que ficou traumatizado com a rejeição feminina.
O que não se acha o melhor em nada.
Aquele que todo mundo quer pra ouvir.
Aquele amigo bonzinho e "inteligente".
Aquele que te escuta e fala tudo que tu quer escutar. Que vai ficar tudo bem. Que tu vai ser a melhor pessoa do mundo.
Mesmo que tu tenha um coração mais negro do que carvão.
Desgraçado que odeia que critiquem seus gostos.
Teimoso que não desiste das pessoas.
Inocente que inveja os mentirosos.
Homem que joga alto em expectativas e perde sempre.
Homem que acha que a mulher perfeita vai cair do céu.
Homem que crucifica as pessoas por erros desprezíveis.
Um viciado em ouvir a mesma música. Mil vezes. Até não suportar mais.
Um viciado em amar a mesma mulher. Por uma noite só.
E amar mil vezes mais a partir do momento em que a perde.
Um viciado em beber nostalgias. Que no dia da ressaca promete parar pra sempre.
Amante platônico.
Errante no mundo moderno.
Protetor da emoção alheia.
Masoquista do próprio coração.


sábado, 2 de agosto de 2014

Carta às mulheres

Olá, mulher. 
Hoje, decidi fugir das convenções do mundo atual (o dos contos de fada e das fotos bem editadas) e decidi te contar algumas verdades. Umas exageradas, outras nem tanto, mas todas sinceras e vindas de onde eu nem imagino, mas algo me diz que assim deveria ser.
Sou homem. Sim, homem, com todos os defeitos que isso traz. Sou mais instintos do que razão. Amo as mulheres. Primeiro com testosterona e depois com adrenalina. Vivo o instante, não a história. A rebatida de terminar um relacionamento é atrasada para mim. Demora uma semana. E, quando vem, é tão desesperador quanto estar na carona de um bêbado.
Sim, um corpo sarado tira minha estabilidade. Mas as que me conquistam pra sempre revelam também aquela gordurinha no quadril, evidência inegável de mulher determinada a evoluir, mas que não abre mão de ser feliz. 
        Adoro o jogo da conquista: o que se faz com conversas subjetivas e com aquela mentira que vocês sabem de quilômetros, mas fingem inocência e continuam gostando de nós mesmo assim. 
        Amo os olhares sensuais de vocês, mas fico fraco de verdade quando descubro aquele desejo inocente, mais de carinho do que de tesão. Mais de amor do que de atração.
         Minha felicidade com as mulheres acontece na conversa longa e sincera, aquela que tu doa um pedacinho da tua alma e recebe outro em troca. Em que ambos aprendem que não são o centro do mundo. E que não tem problema em não o ser. Porque o importante da vida não é ser o centro da pessoa que tu ama, mas ser o mundo inteiro dela e ela ser o teu.
Agora, confissões para uma pessoa em especial. Espero que tu, leitora, se identifique de alguma forma.
Confesso que não aceito essa perda até hoje. Que faço minha vida parecer melhor do que é pra não te dar a certeza de que tu acertou em cheio (ainda que, provavelmente, tenha acertado). Que frequentei festas cheias de pessoas vazias pra tentar te esquecer. Que perco o chão e começo a olhar loucamente para os lados quando sinto o teu perfume. Que minto pra mim mesmo quando acho que meu amor por ti diminuiu e que invento desculpas pra não te achar digna de ainda ser minha criptonita.
         Que tão doentio quanto minha fraqueza é a gente não se falar mais. Que é absurdo adivinharmos o que o outro pensa sem nem nos falarmos e continuarmos fingindo que nunca nos conhecemos. 
          Sinto muito: por ter um amor grande, mas um medo maior ainda.

Os precavidos dizem: 
Quem semeia ventos, colhe tempestades. 
E quem disse que eu não quis tempestades? 
Mulher-tempestade, tu foi embora, mas deixou um arco-íris atrás de ti. 
Meu coração agradece.



G. R. Rosa

domingo, 16 de março de 2014

E acordar sozinho ouvindo o som da sua tv

Como é difícil se entender hoje em dia.
Como se torna complicado viver com plenitude. Encontrar o seu próprio objetivo. 
Nascemos e já tinham decidido o nosso ofício: tu deves sobreviver.
E assim fizemos.
E quando essa fase passou, perguntamos: e agora?
Nos disseram: tu deves ser comportado.
E fomos. E destruímos apenas metade da decoração das nossas casas. 
Que, de certa forma, é uma estatística realizada por anjos.
E depois de sermos tão angelicais, perguntamos: e agora?
Novamente, mais uma tarefa: tu deves estudar.
E estudamos. Mais do que gostaríamos. Menos do que deveríamos.
E depois que tivemos contínuos anos suportando os livros, perguntamos: e agora?
E lá veio mais uma: agora tu deves trabalhar.
E trabalhamos. E odiamos. Odiamos aquele lugar. Odiamos os nossos superiores. Odiamos aqueles padrões. Mas suportamos.
E quando conseguimos um dinheiro, fizemos o questionamento de sempre: e agora?
E nos disseram: agora tu vais gastar. E, depois que acabar teu dinheiro, tu deves trabalhar mais e mais.
E assim conseguimos smartphones mais "smart" que nós mesmos.
Mas chegou uma hora em que o ardente sentimento bateu à nossa porta.
E perguntamos: e agora?
O mundo, sempre feliz em nos dar trabalho, esboçou um sorriso cheio de malícia e disse:
- Agora tu vais encontrar alguém que te entenda mais do que tu a ti mesmo.
COMO ASSIM?! QUE MERDA É ESSA?!
E aí passamos o tempo todo tentando achar alguém. Alguém que seja inteligente, mas humilde. Que seja rico, mas simples. Que seja malandro, mas fiel. Que sempre nos coloque como prioridade, mas que tenha vaidade. Que fale três línguas, mas que abra mão do mundo pra ficar contigo. Que ande bem vestido, mas jamais melhor do que tu andas. Que nos escute, mas nunca perca a paciência. Que goste de sair, mas que ame ficar em casa. 
Caos da nossa geração.
Fadados à solidão. Por quê? Fizemos tudo certo! 
No entanto, nunca entendemos a mensagem do mundo.
A natureza não criou pessoas tão perfeitas como os nossos smartphones. 
Ela resolveu nos presentear com a consciência. Louco, não é? 
E passamos nos perguntando o porquê dessa dádiva e o porquê de não existir gente perfeita.
E não vemos que a perfeição reside na imperfeição. Naquela gaguejada nervosa. Naquela timidez cheia de bondade. Naquela mão que treme ao segurar pela primeira vez a mão da pessoa amada.
E vivemos perguntando aos outros, mas nunca a si mesmo.
Portanto, te pergunto:
- E agora?

G.R.R.




segunda-feira, 3 de março de 2014

bitches say what

Vivemos o "desprendimento".
Putaria virou produto de massa.
Todos querem namorar sem as restrições de ser "o que namora".
Queremos o sexo de filme pornô até sermos descartáveis.
E, quando enjoarmos, queremos o sexo-amor.
Aquele que precisa de amor verdadeiro.
Aquele que está em extinção.
Queremos amar pelo entorpecimento que amar causa a nós mesmos.
Queremos amar sem se doar.
Queremos amar sem amar.
Somos a geração do egoísmo. Somos a geração do anti-sacrifício.

Balada. Álcool. Sexo.
Nossos deuses intocáveis.
Mas alguma hora temos que chegar em casa.
E aí estamos sozinhos.
Inevitavelmente sozinhos.
A solidão machuca a consciência. Pesa. Traz culpa.
E o que resta?
Resta a próxima noite, a próxima garrafa, a próxima inconsciência, o próximo beijo frio, o próximo sexo numérico, a próxima falsa companhia.
E voltamos sempre para a caótica casa.
Sem nunca querer arrumá-la.
A casa é a nossa alma.
A bagunça é o nosso coração.