"Quem escreverá a história do que poderia ter sido o irreparável do meu passado;
Este é o cadáver.
Se a certa altura eu tivesse me voltado para a esquerda, ao invés que para direita;
Se em certo momento eu tivesse dito não, ao invés que sim;
Se em certas conversas eu tivesse dito as frases que só hoje elaboro; Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro seria insensivelmente levado a ser outro também.” F. Pessoa.
Deus, ou qualquer outro símbolo criado pelo ser humano pra resolver os problemas do próprio, faça com que eu seja sincero e tenha liberdade no que tento expressar aqui.
No momento, não tenho esperanças de viver. Não tenho pena disso. Não quero que você tenha também. Como eu já disse, é um momento.
Apenas não encontrei par nessa jornada que a gente chama de vida.
Vou te contar uma história de um guri.
Esse guri admite hoje que não foi educado (ou moldado) pra pisar nos outros - infelizmente, a vida pareceria mais atrativa se fosse dessa maneira.
Esse guri é chamado de gay desde os sete anos de idade por não gostar de jogar futebol e por não ter vergonha de admitir tal fato. E não tem vergonha de gostar de Nickelback ou John Mayer. Ele não aprendeu que a regra é ser injusto, insensível, um grande idiota. Não entende essa necessidade de auto-afirmação do outro quando este tenta classificá-lo de rótulos aos quais não pertence. E não apenas nos rótulos negativos.
Acha absurdo mulheres serem tratadas como objetos de decoração em qualquer lugar que forem. Acha mais absurdo ainda grande parte delas concordarem ou serem coniventes com isso. E, sim, esse guri gosta de meninas. E gosta tanto a ponto de saber que vale a pena ser agredido por querer tratá-las como merecem. Não, ele não se acha mais correto ou superior.
Ele só não aceita por que as pessoas não se perguntam qual a razão por trás dessas convenções.
Você só é homem se não respeita a individualidade e as emoções de cada mulher.
Você só é mulher se tu te apegar a cafajestes e achar que vai mudar a essência dos mesmos.
Estou cansado desses estereótipos.
Cada pessoa é única. Cada uma tem seus defeitos. Suas qualidades. Grandes vitórias. Péssimas derrotas. Indecisões. Indecisões. Indecisões mesmo.
Ao abrir um livro de Manuel Bandeira, deparo-me com o primeiro verso: “Faço versos como quem morre”.
Acho que não sou assim. Mas próximo disso.
Escrevo como quem chora. O teclado é um lenço e um abraço.
E hoje correm lágrimas de derrota.
E hoje correm lágrimas de derrota.
Perdi porque esperei demais de pessoas incapazes. Porque acreditei que beleza levava, necessariamente, a um bom caráter (inconsciência idiota!). Porque ouvi discursos de originalidade saindo de bocas nem-tão-originais-assim. Porque mentiram. Mentiram como se fosse natural mentir. Como se respirar fosse igual a mentir. E respiraram fundo em mim.
E o mais incrível é esse efeito ressaca do amor falido: não houve ainda uma vez na qual obtive mais felicidade e bem estar do que sofrimento e desilusão. Você, que inventou esse aperto no coração, tenha a fineza de desinventar.
Mas, fique tranquilo, ainda gosto de viver, apesar de tudo. Encontrei amigos no caminho. A sociedade que usa esse termo. Para mim, são anjos. Obrigado.
Triste é saber que hipocrisia virou tradição.
Triste é viver num jogo de interesses.
Triste é presenciar a morte do bom senso.
No momento, meu estômago grita que quer comida. Daqui a dez minutos, ele estará feliz.
E o coração, que grita por felicidade?
Não sei.
Quem sabe de tudo, não sabe de nada.
De olhos fechados, fico triste com o mundo.
Mas não é o momento de desistir.
É hora de acordar.
Desculpa qualquer coisa.
G.R.Rosa.