sábado, 2 de agosto de 2014

Carta às mulheres

Olá, mulher. 
Hoje, decidi fugir das convenções do mundo atual (o dos contos de fada e das fotos bem editadas) e decidi te contar algumas verdades. Umas exageradas, outras nem tanto, mas todas sinceras e vindas de onde eu nem imagino, mas algo me diz que assim deveria ser.
Sou homem. Sim, homem, com todos os defeitos que isso traz. Sou mais instintos do que razão. Amo as mulheres. Primeiro com testosterona e depois com adrenalina. Vivo o instante, não a história. A rebatida de terminar um relacionamento é atrasada para mim. Demora uma semana. E, quando vem, é tão desesperador quanto estar na carona de um bêbado.
Sim, um corpo sarado tira minha estabilidade. Mas as que me conquistam pra sempre revelam também aquela gordurinha no quadril, evidência inegável de mulher determinada a evoluir, mas que não abre mão de ser feliz. 
        Adoro o jogo da conquista: o que se faz com conversas subjetivas e com aquela mentira que vocês sabem de quilômetros, mas fingem inocência e continuam gostando de nós mesmo assim. 
        Amo os olhares sensuais de vocês, mas fico fraco de verdade quando descubro aquele desejo inocente, mais de carinho do que de tesão. Mais de amor do que de atração.
         Minha felicidade com as mulheres acontece na conversa longa e sincera, aquela que tu doa um pedacinho da tua alma e recebe outro em troca. Em que ambos aprendem que não são o centro do mundo. E que não tem problema em não o ser. Porque o importante da vida não é ser o centro da pessoa que tu ama, mas ser o mundo inteiro dela e ela ser o teu.
Agora, confissões para uma pessoa em especial. Espero que tu, leitora, se identifique de alguma forma.
Confesso que não aceito essa perda até hoje. Que faço minha vida parecer melhor do que é pra não te dar a certeza de que tu acertou em cheio (ainda que, provavelmente, tenha acertado). Que frequentei festas cheias de pessoas vazias pra tentar te esquecer. Que perco o chão e começo a olhar loucamente para os lados quando sinto o teu perfume. Que minto pra mim mesmo quando acho que meu amor por ti diminuiu e que invento desculpas pra não te achar digna de ainda ser minha criptonita.
         Que tão doentio quanto minha fraqueza é a gente não se falar mais. Que é absurdo adivinharmos o que o outro pensa sem nem nos falarmos e continuarmos fingindo que nunca nos conhecemos. 
          Sinto muito: por ter um amor grande, mas um medo maior ainda.

Os precavidos dizem: 
Quem semeia ventos, colhe tempestades. 
E quem disse que eu não quis tempestades? 
Mulher-tempestade, tu foi embora, mas deixou um arco-íris atrás de ti. 
Meu coração agradece.



G. R. Rosa

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